O Advento

A antiga atmosfera do Advento desapareceu.

Ela quer ser recriada na alma humana, pela nossa consciência atual. Exercitamo-la frente ao altar. Em silêncio diante do altar: pode-se cultivar a arte da devoção e da veneração no cerne da alma. Pois, a arte de cultivo da devoção e da veneração trazem consigo a atmosfera do Advento. O mundo exterior não nos presenteia mais com a atmosfera do Advento.

Ela quer ser conquistada pelo esforço humano consciente.

Três passos criam com arte a interioridade necessária ao Advento:

 1 – Aprender a abrir o pensamento à esfera do supra-sensível. . Ao mundo onde  vivem e atuam os falecidos e o Cristo. Quem abre a possibilidade de pensar no supra-sensível como realidade, abre uma nova perspectiva de mundo. A existência e o destino humanos adquirem uma outra amplitude.

 2 – Aprender a abrir os sentimentos ao calor e à força que emanam do mundo supra-sensível. Assim como admiramos e nos voltamos à luz e ao calor do sol em dias sombrios, podemos exercitarmo-nos a sentir o envoltório caloroso com o qual seres espirituais, falecidos e o Cristo irradiam para a alma humana.

 3 – Aprender a receber a vontade do mundo supra-sensível na própria vontade. A graça divina não exige passividade, mas a atividade de aceitar: “Sê feita a Tua vontade, como nos Céus, assim na Terra”.

 São os pensamentos, os sentimentos e a vontade dos mundos espirituais que tecem no ser humano a força da interioridade. As substâncias necessárias para isso são a devoção e a veneração, substâncias criadas pela arte da consciência humana, na harmonia do pensar, sentir e querer.

Foi uma necessidade a morte exterior da atmosfera do Advento.

Ela só adquire realidade, em nossa época, ao ser recriada com arte na atividade da alma humana, isto é, na força da interioridade.

Marcus Piedade

Published in: on 16/12/2011 at 7:30 p12  Deixe um comentário