Ciência, Arte e Fé

“Os cientistas esquecem-se que a ciência nasceu da poesia e de que, no futuro, elas poderão se reencontrar num nível superior e reatar a amizade.”   Goethe

Uma característica importante da época moderna é a fragmentação que existe, não apenas dentro da ciência, mas dentro da cultura em geral. A tendência que caracteriza a ciência moderna é, como vimos, dividir-se em inúmeras especialidades que estudam partes mais ou menos separadas da natureza ou do homem.

Antes do renascimento, a ciência não havia se separado da arte e da religião. Basta lembrarmos de Leonardo da Vinci para observar como era possível um artista e um religioso viverem na mesma pessoa. Não apenas era possível, como era comum.

Após a renascença. ciência arte e religião seguiram caminhos diferentes. Isso trouxe muitas consequências ao desenvolvimento cultural do ocidente. Poderíamos fazer uma análise do problema e nos perguntar se tais consequências foram positivas ou negativas ao desenvolvimento da ciência. Mas me aterei a estudar a possibilidade da nova reunião, e as vantagens que a retomada dessa aliança perdida pode representar.

A separação da ciência e da religião impunha-se devido a necessidades históricas. A igreja católica não via as novas descobertas com muito bons olhos e foi preciso que os cientistas lhe opusessem resistência. Essa resistência colaborou muito com a separação.

A separação da arte foi mais suave. A arte foi sendo deixada de lado gradativamente. O processo de criação e de percepção artística foram cada vez mais esquecidos pelos homens de ciência. Os métodos científicos propostos desde então, passaram a descartar as dimensões metafísica e estética da natureza como forma de compreendê-la.

Os tempos mudaram novamente. Observamos na humanidade como um todo um processo de reconciliação entre ciência, arte e religião. É um fenômeno cultural muito importante e que está acontecendo agora. Muitas pessoas sentem a necessidade de reatar a aliança perdida entre conhecimento, beleza e fé, e trabalham ativamente nesta direção.

A vida espiritual começa a ser resgatada dentro do campo das ciências biológicas, da psicologia, da educação e até das ciências sociais. Muitos investigadores também voltam-se para a arte como uma possibilidade terapêutica. Profissionais das mais diversas áreas notaram que o intelecto é limitado como forma de integrar conteúdos psíquicos. Dessa forma, uma série de modalidades artísticas fazem parte das medidas terapêuticas mais modernas : a dança, a cor, a música, o toque, o canto, a modelagem, etc…

Assim , a hipótese de uma ampliação do método científico que inclua a vida subjetiva ou espiritual do cientista, pode resultar muito promissora.

Trechos extraídos do cap.2 da apostila Ciência, Arte e Fé

Gerardo Antonorsi Blanco

Published in: on 02/08/2013 at 7:30 p08  Deixe um comentário