Sobre a coragem de curar

Entramos em um campo de batalha pelo ser humano quando tratamos dos nossos pacientes.

Do ponto de vista esotérico, Rudolf Steiner falou que a medicina ia ser um palco para as forças arihmanicas que, de certa maneira, querem eliminar o ser humano – assassinos das forças vitais.

O poder econômico tomou conta da essência da medicina, vivenciamos a industrialização da essência da medicina nestes séculos XX e XXI.

Isto significa fazer um grande esforço para lidar com o materialismo, pois a medicina se tornou uma ciência mecânica de corpos físicos. Isto significa conduzir a vida humana segundo uma arbitrariedade, segundo a visão de que a medicina se torna senhor do corpo humano.

Vai chegar um momento em que tudo será alcançável pelo poder da medicina. Esses pensamentos se vinculavam ao racismo no sec.XIX . Steiner reconheceu nitidamente isto que estava por vir, uma medicina que se tornaria instrumento de poder não só sobre o corpo de uma pessoa, mas sobre toda uma sociedade.

Os médicos não tem o direito de julgar o valor que cada vida tem, e se eles assumissem essa postura  seriam as pessoas mais perigosas de um país.

Podemos despertar para o fato da medicina ser um campo de batalha pelo ser humano. Vivemos numa época em que milhares de abortos e eutanásia são realizados. A sociedade se dá o direito de decidir quais vidas merecem viver e quais não merecem. As possibilidades tecnológicas para determinar os gens, combiná-los, etc.., aumentam cada vez mais. Hoje muitas crianças nascem em datas programadas. Muitas recebem ritalina para dominar seus cérebros.E quantas pessoas não morrem de forma providenciada por essa medicina que provê o mais agradável ?

O ser humano está sendo manipulado em toda a sua vida, e defender o direito à vida é tarefa da medicina antroposófica – e isso pode se tornar uma causa perigosa. O direito à individualidade é uma tarefa Micaélica.

A coragem de curar é se envolver nessa luta, pela terapia, pela vida e pela morte individual. Desta maneira, o medico se expõe e não é poupado de ser atingido pelas forças adversas.

Existem países aonde a medicina e as terapias antroposóficas são consideradas criminosas.

Do ponto de vista interno, as forças adversas atuam dentro do corpo humano. Steiner ressaltou a polaridade entre as forças do frio, o neurossensorial, e as forças do calor, o metabólico. Esclerose X febre.  Durante a evolução do ser humano, as coisas nem sempre foram assim, só em determinado momento é que as forças adversas adentraram o corpo humano.

As doenças fazem sentido e tem que fazer parte do ser humano.  As  doenças vem para ajudar a individualidade a superar o que, por exemplo, foi uma atuação muito luciferica ou arihmanica em uma encarnação passada.

Se a pessoa passa por uma doença assim, ela pode superar algo de uma encarnação anterior. Isso significa um momento de liberdade do ser humano. Mesmo que ele morra da doença, ele consegue se libertar.

A medicina antroposofica não priva o ser humano dessa libertação, ela apóia esse processo. Ela apóia o desenvolvimento cármico, o destino do ser humano. Uma medicina que suprime e elimina as doenças, é uma medicina que impede o Carma.

A região mediana do ser humano tem tudo a ver com o coração.  Equilibrar e neutralizar as forças adversas só pode dar certo quando  conduzido a partir desta região.

Ajudar o ser humano a achar o seu caminho na direção do bem, é uma ação sanante no mundo.

Os impulsos curativos e sanantes são dados pela antroposofia de uma forma geral. Temos que ter junto conosco o Ser Cristico para dar conta dessas tarefas. Como médicos e terapeutas não temos a responsabilidade do destino da humanidade, o Ser Cristico sim.

Quando atuamos em situações difíceis com nossos pacientes, precisamos dessas forças crísticas. A antroposofia nos oferece a imagem sanante do ser humano, nos devolve a real imagem humana, e é a região do meio que nos dá essas forças curativas. E isso também se trata da libertação das forças adversas. Elas também precisam se desenvolver.

As quimioterapias são substancias que foram utilizadas na guerra.

E transformar os recursos hostis do mundo para o bem, não será isso também uma tarefa antroposófica ?

Peter Selg – palestra proferida no XI Congresso de Medicina Antroposófica  / julho 2013

Published in: on 23/08/2013 at 7:30 p08  Deixe um comentário  

Ciência, Arte e Fé

“Os cientistas esquecem-se que a ciência nasceu da poesia e de que, no futuro, elas poderão se reencontrar num nível superior e reatar a amizade.”   Goethe

Uma característica importante da época moderna é a fragmentação que existe, não apenas dentro da ciência, mas dentro da cultura em geral. A tendência que caracteriza a ciência moderna é, como vimos, dividir-se em inúmeras especialidades que estudam partes mais ou menos separadas da natureza ou do homem.

Antes do renascimento, a ciência não havia se separado da arte e da religião. Basta lembrarmos de Leonardo da Vinci para observar como era possível um artista e um religioso viverem na mesma pessoa. Não apenas era possível, como era comum.

Após a renascença. ciência arte e religião seguiram caminhos diferentes. Isso trouxe muitas consequências ao desenvolvimento cultural do ocidente. Poderíamos fazer uma análise do problema e nos perguntar se tais consequências foram positivas ou negativas ao desenvolvimento da ciência. Mas me aterei a estudar a possibilidade da nova reunião, e as vantagens que a retomada dessa aliança perdida pode representar.

A separação da ciência e da religião impunha-se devido a necessidades históricas. A igreja católica não via as novas descobertas com muito bons olhos e foi preciso que os cientistas lhe opusessem resistência. Essa resistência colaborou muito com a separação.

A separação da arte foi mais suave. A arte foi sendo deixada de lado gradativamente. O processo de criação e de percepção artística foram cada vez mais esquecidos pelos homens de ciência. Os métodos científicos propostos desde então, passaram a descartar as dimensões metafísica e estética da natureza como forma de compreendê-la.

Os tempos mudaram novamente. Observamos na humanidade como um todo um processo de reconciliação entre ciência, arte e religião. É um fenômeno cultural muito importante e que está acontecendo agora. Muitas pessoas sentem a necessidade de reatar a aliança perdida entre conhecimento, beleza e fé, e trabalham ativamente nesta direção.

A vida espiritual começa a ser resgatada dentro do campo das ciências biológicas, da psicologia, da educação e até das ciências sociais. Muitos investigadores também voltam-se para a arte como uma possibilidade terapêutica. Profissionais das mais diversas áreas notaram que o intelecto é limitado como forma de integrar conteúdos psíquicos. Dessa forma, uma série de modalidades artísticas fazem parte das medidas terapêuticas mais modernas : a dança, a cor, a música, o toque, o canto, a modelagem, etc…

Assim , a hipótese de uma ampliação do método científico que inclua a vida subjetiva ou espiritual do cientista, pode resultar muito promissora.

Trechos extraídos do cap.2 da apostila Ciência, Arte e Fé

Gerardo Antonorsi Blanco

Published in: on 02/08/2013 at 7:30 p08  Deixe um comentário