Meios Eletrônicos e Educação : Nova Vida ou Destruição?

                   

Os meios eletrônicos (TV, video games, computador e Internet) estão sendo cada vez mais usados por crianças e adolescentes. Esse verdadeiro ataque à infância e à juventude começou entre nós na década de 1950, com o advento da TV. No entanto, há diferenças brutais entre aquela época e a presente. Por exemplo, a TV penetrou nos dormitórios das crianças e aparelhos portáteis como jogos eletrônicos e celulares conectados à Internet podem ser usados em qualquer lugar. Com isso, os pais perderam totalmente o controle do que os filhos vêem e fazem com os aparelhos.

 Os resultados têm sido absolutamente catastróficos, como por exemplo a diminuição do rendimento escolar, o que já está plenamente provado por pesquisas estatísticas.

 Todos esses aparelhos têm algo em comum: trabalham com telas. A consequência imediata disso é que o usuário tem que ficar imóvel à frente deles, em geral sentado. Obviamente existem exceções, mas a quase totalidade do uso de aparelhos com telas exige que o usuário fique sentado sem fazer nada – ou quase nada.

A sucessão muito rápida de imagens faz com que não se consiga refletir sobre o que está sendo visto. Esse estado interior de relaxamento corresponde a um estado de sonolência, semi-hipnótico, o que já foi comprovado por vários estudos neurofisiológicos.

O estado de sonolência do telespectador tem duas consequências principais. Para impedir que a pessoa passe para o sono profundo é necessário apelar para emoções fortes, já que o adormecimento do telespectador seria um desastre para os anunciantes (ou para o nível de audiência no caso da TV pública ou educativa). Por isso há tanta violência e erotismo na TV, e todo programa tem que ser movimentado, tipo show.

Há aqui um círculo vicioso: para que o usuário da TV não adormeça, é necessário que as imagens mudem rapidamente .

 Por outro lado, quanto mais as imagens se movimentam, mais o telespectador “desliga” sua atividade mental consciente. Em segundo lugar, tudo o que ele vê fica gravado em seu inconsciente, isto é, a TV é subliminar por natureza. Essa é a situação ideal para a propaganda: gravação, sem crítica, no inconsciente. É muito importante saber-se que o ser humano grava todas suas vivências, a maior parte no sub e no inconsciente.

Um jovem, ao entrar na universidade, carrega em média pelo menos 20.000 horas de lixo mental da TV e dos jogos eletrônicos.

 Tanto a violência e o erotismo, quanto a gravação no inconsciente é trágica  no caso de crianças e adolescentes, pois eles estão formando sua mente. Quem acha que tudo isso passa em brancas nuvens não tem bom senso e não conhece as pesquisas sobre as influências da violência e do erotismo nas pessoas, em particular nos jovens. Está mais do que provado que a TV e os jogos violentos aumentam a agressividade, de curto a longo prazo.

Todas as crianças querem é brincar e se divertir, o que é perfeitamente normal e sadio. Se não for assim, já perderam boa parte de sua necessária infância e juventude. Então, o que eles fazem com computadores e a Internet? Brincam e se divertem!

Imagine-se uma sala de aula com os alunos digitando em seu micro. Como eles prestarão atenção ao professor? Por isso e outros prejuízos para o ensino, várias escolas americanas proibiram que seus alunos trouxessem um computador para a escola.

Está mais do que provado, inclusive com um estudo da Unicamp, que quanto mais um jovem usa um computador, pior seu rendimento escolar.

 Além do tempo perdido com coisas inúteis ou mesmo prejudiciais para a  educação, em minha concepção existe um fator profundo para o computador  influenciar negativamente o desenvolvimento. Acontece que ele é uma  máquina matemática. Qualquer comando que se lhe dê, mesmo acionando um  ícone, provoca internamente a execução de uma função matemática de  manipulação de símbolos.

 Assim, o usuário, sem o perceber, está sendo forçado a pensar  matematicamente. Isso não é sadio na idade infantil, pois a mente, e nem  mesmo o cérebro, estão preparados para esse tipo de atividade mental. Forçar um raciocínio abstrato antes da maturidade necessária significa prejudicar as funções mentais, por exemplo a capacidade de fantasiar, de imaginar, e portanto a criatividade.

Essa é uma das consequências trágicas da escolaridade precoce, como por exemplo ensinar a ler antes dos 6/ 7 anos de idade Um outro fator que prejudica a capacidade mental e de concentração é a enorme fragmentação produzida pelas imagens e, no caso dos computadores, pelo fato de se ter em geral várias tarefas ativas ao mesmo tempo. Isso ainda é piorado com o uso simultâneo de vários aparelhos, algo muito apreciado pelos jovens. Uma boa parte da educação deveria voltar-se para o desenvolvimento da capacidade de concentração, que é obviamente prejudicada por essa “multitarefa”.

Por outro lado, o uso de qualquer meio eletrônico exige um enorme autocontrole. Adultos viciam-se em TV, nos jogos violentos e na Internet; imagine-se então o que ocorre com crianças e adolescentes, que não têm autocontrole para, por exemplo, limitar o tempo de uso. Aliás, uma das consequências nefastas garantidas desses meios é diminuir a força de vontade – o mesmo efeito das drogas alucinógenas.

É preciso chamar a atenção para o fato de que a Internet apresenta um perigo imenso para crianças e adolescentes, eles não têm o necessário discernimento para distinguir o que é verdadeiro do que é falso, do que é bom e do que é mau, do que é apropriado ou não para sua maturidade e cultura.

Finalmente, é preciso entender que não é, em absoluto, necessário que crianças e adolescentes usem os meios eletrônicos. Qualquer pessoa pode aprender a usá-los na idade adulta jovem. Por outro lado, os benefícios que eles podem trazer à educação são infinitamente suplantados pelos prejuízos.

Trechos selecionados do artigo de Valdemar W. Setzer
Depto. de Ciência da Computação da USP
www.ime.usp.br/~vwsetzer

Published in: on 21/11/2011 at 7:30 p11  Deixe um comentário  

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