Ginástica Cerebral

 

A ginástica cerebral ( brain gym )  é  um método científico desenvolvido a partir de 1960 pelo Dr. Paul Dennison, PhD em Educação pela Universidade da Califórnia , que uniu a pesquisa científica de laboratório com alguns princípios de filosofias e técnicas orientais, como o tai chi chuan, acupuntura, yoga e outros, criando uma série de exercícios.

 Em 40 anos de pesquisa, juntamente com toda uma equipe de especialistas, médicos, neurologistas, psicólogos, e professores, desenvolveu 32 exercícios que estimulam o cérebro. Esse processo integra os estudos da educação cinestésica (a ciência do movimento) com a pesquisa cerebral aplicada. O objetivo da técnica é ativar os 2 lados do cérebro ao mesmo tempo: o direito (criativo) e o esquerdo (lógico), para aumentar a área de utilização, e assim melhorar a memória, aprendizado, concentração,  criatividade, além de eliminar o stress.

Os exercícios da ginástica cerebral têm, como um dos seus méritos, o fato de serem de fácil assimilação e execução por qualquer pessoa de qualquer idade, sem necessidade de um acompanhamento técnico para sua realização, pois são todos exercícios físicos baseados em movimentos naturais.

Qualquer pessoa informada de como realizá-los, como e porque devem ser feitos e quais as vantagens que eles trazem, pode começar a trabalhar seu cérebro imediatamente, de maneira a torná-lo mais positivo e energético, pois não existe nenhuma contra-indicação.

As vantagens são evidentes. Com o cérebro exercitado vivemos mais e melhor, evitando ou diminuindo os efeitos de alguns problemas característicos da velhice, como a perda de memória e a senilidade. Desenvolvemos, também, um entendimento melhor das coisas, despertamos a criatividade e aumentamos a capacidade de aprendizagem de raciocínio e de memória, utilizando todo o nosso potencial cerebral.

Cada um dos 32 exercícos tem uma finalidade: matemática (ativar o lado do cérebro que raciocina com números), linguagem (ativar o lado do cérebro que raciona com palavras), auto-estima (fortalecer o lado direito/emocional e trabalhar medos, inseguranças, depressão), leitura (para quem não entende o que lê), aprendizado de línguas estrangeiras (exercícios de expressão), para não dar branco na hora da prova, bloqueio de aprendizado, leitura dinâmica, concentração, memória, etc.

Temos cerca de 100 bilhões de neurônios no cérebro. Mas a inteligência humana não é medida pelo tamanho do cérebro, ou quantidade de neurônios, e sim pelas sinapses, as conexões existentes entre os neurônios. Quanto mais sinapses, mais inteligente é a pessoa. E as sinapses são formadas a partir de estímulos, daí a importância dos exercícios.

Estudos verificaram que utilizamos apenas 1/5 de nosso estoque. A maioria das pessoas usa em média 3 a 4% da sua capacidade cerebral, isso foi constatado com aparelhos avançados de tomografia. É muito pouco. Estima-se que gênios como Einstein tenham chegado a 10%. O objetivo da técnica, ao fazer os dois hemisférios funcionarem juntos é exatamente aumentar essa capacidade.

Ao envelhecermos perdemos cerca de 10% de nossa capacidade cerebral. Isto significa muito pouco comparado ao que possuímos e não chega a afetar nosso pensamento.

O cérebro, da mesma forma que um músculo do corpo, desenvolve-se pelo uso. Quanto mais você usa, mais ele se manterá em forma.

Internet :  brain gym / ginástica cerebral

Published in: on 30/01/2010 at 7:30 p01  Deixe um comentário  

Parsifal

 

O conhecimento do mundo espiritual era de um determinado caminho e práticas antes do Cristo. Este era orientado dentro da vida hebraico-judia, a lei dos 10 mandamentos, regras externas que determinavam a vida  social, a vida como um todo. As pessoas mais desenvolvidas, que eram os reis e sacerdotes, introduziram essas leis para o povo e a humanidade.

Dentro desses “mistérios”, havia o conhecimento do fluxo das substâncias, das corporalidades do ser humano. Um outro conhecimento espiritual era como se desenvolvia a parte superior, eterna do ser humano, o“Eu”. A estrela de 6 pontas era o entrelaçamento ideal. Estes dois aspectos, consciência e desenvolvimento dos corpos, eram ensinados por mestres e seres superiores.

Na época antes de Cristo, as pessoas precisavam se submeter a regras rígidas para aprender tudo o que era possível sobre isso.

Na época de Cristo sempre foi cultivado intensamente o conhecimento do fluxo dos corpos ; existiam inúmeras regras higiênicas e de alimentação para se purificar a corporalidade afim de receber um Eu desenvolvido.

Na época do Gólgota, esse conhecimento, que teve seu auge na velha Índia, estava se fechando. A religião do povo judeu tinha muita base nos mistérios do sangue ( hereditariedade) e dos corpos ( lua ) . Da época  Atlântida até o Gólgota, acontece o caminho da descida do conhecimento. Os 33 anos do Cristo, por um lado, marcam o início do conhecimento dos mistérios do Eu, de como essa entidade humana pode se desenvolver para cumprir sua missão, e por outro lado, também marcam a introdução do sacramento central – do pão e do sangue – como conhecimento do fluxo dos corpos.

Depois, com a introdução do cristianismo, se instala uma prática com várias nuances da atual igreja cristã oficial. Todo o antigo conhecimento da purificação dos corpos desaparece, ficando oculto ; apenas dentro da corrente do cristianismo esotérico, o fluxo dos corpos tem lugar.

O conhecimento da transmutação das corporalidades, ficou oculta da estória oficial – a transformação do corpo lunar em corpo solar.

Uma das individualidades mais acentuadas dessa época foi João, o discípulo amado, que tem uma percepção do Cristo ressurreto aparecendo no corpo solar, imortal. José de Arimatéia também foi uma individualidade muito elevada, assim como Maria Madalena, irmã de João e Marta – ambos tiveram uma percepção muito especial.

A lenda conta que essas 3 personalidades receberam o conhecimento dos corpos renovados, no cálice que continha o sangue de Cristo na cruz.

Depois, em pentecostes, quando o Espírito Santo se afirma na Terra, esses personagens levaram a taça com o sangue para a Espanha, depois para Portugal e França, e lá instalaram os novos mistérios desse conhecimento amplo e renovado, e assim,  essa sabedoria imerge dentro de uma vida oculta.

O discípulo Pedro, que é o indivíduo nomeado para fundar a igreja e o fluxo exotérico, externo do cristianismo, alcançava, em um nível diferente, um conhecimento da transformação. Paulo, de forma também diferenciada, tem a percepção do Cristo no acontecimento de Damasco, e começa a instalar, da Grécia até Roma, o espiritual social das comunidades (e não a igreja como Pedro) .

Rudolf Steiner se refere à linha do Santo Graal como o mistério do sangue transformado. Do século IX ao XII, os Templários, os Rosacruzes, o Santo Graal, formam um conjunto que faz reaparecer esse conhecimento. Depois, os alquimistas.E por fim, Manu, com o cristianismo maniqueísta, integra o bem e o mal, e acrescenta uma nuance que só no futuro , após o século XX, poderá ser vivenciado.

Um aspecto a ser entendido é a diferença entre os velhos mistérios e os modernos (cristãos). Antigamente, conhecimento espiritual sempre acontecia como um presente da divindade – o forte desenvolvimento do Eu como uma relação de pai para filho. E assim era adequado àquela época. Era um preparo imenso do ser humano, sabendo que esse conhecimento não era fruto do esforço próprio ou conquista própria , mas sim, uma graça recebida. Depois do mistério do Gólgota, esse gesto pai/filho se transforma em igualdade, em irmandade.

A partir dessa virada, tem início uma capacidade que o ser humano começa a lutar para alcançar. Na estória, Parsifal ganhou a entrada no palácio do graal a primeira vez de graça, e a perdeu, desperdiçou por não saber o seu valor ; depois ele lutou para reconquistar esse lugar com teimosia. Ele não se conformava com isso de “destino”, e por causa disso, a história mudou. Antigamente era hábito nas escolas religiosas que os sacerdotes viajavam pelo mundo e, com clarividência, pegavam crianças com possibilidades de elevação espirirual e os educavam rigidamente para que pudessem obter essa graça.

A partir do cristianismo, se instala paulatinamente o hábito de o próprio destino da pessoa ser um caminho iniciático – não é mais necessário desviar a pessoa da família, do seu lugar, senão que a própria vida dela levará a isso.

Assim, antigamente, jamais o conhecimento era para todos, senão para os escolhidos, e agora, cada um e todos podem conquistar a iniciação.

Outro aspecto disso é que, depois do episódio do Gólgota, as características de ser “oculto” desaparece e acontece publicamente que “Os Filhos de Lúcifer”,    nome dos iniciados antigos, se tornam “Os Irmãos de Cristo” – toda a humanidade agora pode e conquista o que era para poucos.

O caminho iniciático moderno traz uma escada de níveis de condições de desenvolvimento que encontramos na própria vida, e o Parsifal descreve nitidamente esses degraus.

A constelação no tempo do Gólgota é interessantíssima entre os povos : judeu, grego e romano. Os judeus cultivam o “cálice”, os gregos a parte mental, e os romanos a parte anímica, jurídica. As pessoas chave fazem parte, pelo destino, desses três povos, afim de levar esse fluxo antigo para um novo nível.

Quais as condições do caminho atual ? A época moderna, no século 20, apresenta muita desestruturação de famílias, migrações de pessoas pelo mundo, etc…

É muito mais cedo que decisões precisam ser tomadas.

Na vida do pai de Parsifal, não há lugar para nenhuma dúvida, ele age em unidade perfeita, sabe no fundo da alma que o outro vai entender suas escolhas no seu caminho, é convicto, não se divide – “tudo que vou chamar meu deve ser conquista própria, eu vou usar o que é fruto de mim mesmo, e não o que me é dado de presente”.

Dentro do conhecimento iniciático, uma das coisas que marca uma pessoa que trilha esse caminho é a ausência de pai e/ou mãe como uma figura que guia ;    a imagem é como uma infância em que se quer dar os próprios passos, trilhar desde o princípio sua própria trajetória .

Isso é uma premissa, uma condição para o caminho iniciático cristão. Tudo o que o personagem Jamerret conquista é pela luta, ele sempre está afim de arriscar tudo, inclusive a própria vida, e nunca sabe com antecedência se vai dar certo, se vai ganhar ou perder.

A característica essencial da vida cristã é proceder a uma atividade escolhida e não um sofrimento onde se pode culpar o destino – ser vitimado não cabe mais, não faz mais sentido.

Uma característica das mulheres do Parsifal é a presença de sentimentos objetivos, objetividade anímica. As pessoas que fazem esse caminho cristão, são pessoas sensíveis que aprenderam a lidar consigo dessa forma e isso não significa falta de sentimentos.

Uma outra condição forte e moderna que vivemos com muita angústia é a liberdade. Gamured fala : “deixem-me fazer o que eu quero”. É uma inquietação, pois, enquanto o ser humano não consegue fabricar o corpo ressurreto, o corpo solar, ele é inquieto porque, se estacionar, não chega lá,  perde em objetivo. Na verdade, isso só vai ser resolvido totalmente em um tempo muito futuro, mas até lá, essa busca é uma condição essencial .

Há que se levar a liberdade de outro ser humano muito a sério. A segurança é obtida quando se dá liberdade a si mesmo e ao outro. O ser humano tem que buscar segurança em si mesmo, senão vai querer buscar no outro e esperar que ele lhe dê coisas de que não é capaz. Uma pessoa tem que medir forças para se conhecer, assim como tentar compreender a necessidade dessa inquietação.

O significado do nome Parsifal é “o caminho através de tudo”.

As doze qualidades ou virtudes para essa trilha são : coragem, pureza, bondade, fidelidade, equanimidade , preocupação, vergonha, humildade, perseverança, devoção, paciência, amor.

Andar perdido por um tempo, mas seguro e sem desespero, é um forte traço do caminho cristão. Nada é por acaso, mas sim, tem um sentido cósmico que inclui a liberdade. Ainda que andando na trama do destino, escolhe-se o que se quer, o que se acha que tem que ser no momento certo, mesmo que, depois, a descoberta seja que a ação foi pelo bem ou pelo mal – se é livre para aceitar a trama do destino.

A primeira parte da vida de Parsifal mostra o que ele causa aos outros e a si mesmo por ignorância ; pela santa ignorância ele vai em cima dos outros sem consciência, não por maldade.

Até a época do Gólgota, Manu era conhecido como o guia central divino ; no século III,  Manu afirma que o mal precisa ser amado para se tornar bom – não se exclui o mal. O que cada um precisa é andar no seu caminho. O que uma pessoa transforma, é transformado por todos, e quando se alcança um novo nível, abre-se caminho para todos. Se isso é compreendido, fica-se uno consigo mesmo e com o resto do mundo.

Segundo Rudolf Steiner,quem quer percorrer um caminho iniciático precisa ter a capacidade de estar livre de vínculos familiares, sociais e de raça.

Para se conseguir “segurar”, dar conta de vivências espirituais, é necessário ter clareza e segurança, tornar-se livre de regras sociais se e quando necessário.

Precisa ter a capacidade de usar, de dispor livremente dos vínculos e da livre capacidade de julgar quando um compromisso social deve ou não ser aceito.

Sabedoria encarnada é amor e ignorância encarnada é maldade.

O saber tem que se tornar carne e isso resulta em um coração quente que se envolve com o outro.

O que cura é o amor.

 

Evelyn Scheven                        20/10/95

Published in: on 08/01/2010 at 7:30 p01  Deixe um comentário