Tat Twam Asi : Você é Isso

Capítulo VII

Nosso último exemplo, encerrando este estudo, nos leva para perto das questões do destino humano. De muitas formas diferentes vimos como o mundo social externo pode ser uma imagem do próprio mundo interior do homem e é de fato a sua contrapartida. Em épocas passadas era diferente.

Na cultura da antiga Índia, quando um homem voltava sua percepção sensorial para o mundo, sua sensação fundamental era tat twam asi – você é isso !

Se ele visse uma árvore ou o sol, a chuva ou um pássaro, sua alma sempre podia responder : “ Você é isso” . Todo o mundo da criação podia responder ao seu questionamento ainda sonhador sobre sua própria existência.

Durante a longa evolução da consciência, a humanidade libertou-se daquela união natural. A natureza não pode mais responder a qualquer homem, quando ele pergunta : “ Quem sou eu ?” . Ele pode se impressionar com tudo que descobre nos reinos das pedras, plantas, e animais ; pode descobrir, mesmo com reverência, que ele traz a mesma natureza dentro de si, na parte física de seu “Eu”. Mas uma resposta à questão sobre seu próprio ser nunca poderá vir desse mundo.

Será que a resposta não pode ser encontrada nas condições externas que ele próprio criou como corpo social para seu Eu que agora se tornou livre ?

A conexão não foi feita pela natureza ; é trabalho dos homens, e torna-se cada vez mais assim, na medida em que as formas teocráticas tradicionais perdem seu poder para apoiá-lo e finalmente entram em colapso.

Nós podemos realmente afirmar face a uma selva de pedra, casos de tortura, um jornal sensacionalista, um desembarque na Lua, um prédio de seguros principesco, uma usina atômica : eu sou isso !

Nós podemos afirmá-lo olhando para os problemas do mundo.

A humanidade está polarizada entre uma rica minoria técnico-industrial e uma vasta maioria pobre que fornece matéria prima para a agricultura e indústria e torna-se cada vez mais difícil para eles falarem uns com os outros. Não é isto uma imagem do próprio homem : usando seus membros e metabolismo apenas para carregar sua cabeça por aí e satisfazer quaisquer desejos que ela imagine para distração dos sentidos ? Em toda parte vemos o problema da urbanização. O campo está desaparecendo enquanto as cidades se expandem em grandes complexos intoleráveis.

Foi quando estive em São Paulo, com seus 12 milhões de habitantes (1977 !) e      seu aglomerado de arranha-céus, que eu compreendi pela primeira vez que isto é o produto do nosso crescente mau uso do intelecto.

As forças da cabeça cada vez mais se impõem. E quando eu ouvi como é difícil até para um governo autoritário descentralizar, eu compreendi que novos níveis de consciência terão de ser atingidos antes que novas formas possam se tornar possíveis na vida social.

Através de exercícios, tais como os descritos nos capítulos anteriores, um sentimento gradualmente vai surgindo podendo ser formulado assim :

“ O que vem ao meu encontro do mundo externo humano pertence a mim ; é parte de mim mesmo, uma expressão do meu próprio ser”. E sobre tal base, as perguntas sobre o destino podem se feitas novamente. As condições nas quais eu vivo, as coisas que me acontecem, não estão elas, em seu aspecto mais íntimo, relacionadas comigo ? Nossos exemplos ( a separação da realidade espiritual, o declínio dos poderes da alma, a vida sob a tecnologia, e assim por diante ) tiveram um caráter geral e não se referem diretamente ao destino pessoal. Mas pode um homem não achar que sua própria situação prática e o que o atinge nela, pertencem de fato a ele ?

Os psicólogos sociais descrevem isto sob o ponto de vista apenas psicológico, falando de “profecia de auto-satisfação”. Se eu decido que as pessoas não são confiáveis e eu ajo de acordo, eu tendo a ter minha expectativa realizada.

Eles se comportam de forma suspeita. Mas de fato fui eu quem os influenciou; eu mesmo induzi o que vem ao meu encontro. Pertence a mim. Ou, pode ser que algumas pessoas num grupo me tratam agressivamente e eu me pergunto por que são tão desagradáveis. Revisando isto, pode ocorrer a mim que, através da minha própria falta de consideração com os outros, eu os atropelo com meus próprios planos e naturalmente provoco esta resposta.

Efeitos bumerangue como este podem, às vezes, prosseguir durante meses ou anos. Não é sempre fácil se reconhecer naquilo que vem dos outros.

Mas esta forma restrita de pensar ainda deixa aberta a questão : por que minha atitude para com os outros é de desconfiança ? Por que eu tenho tão pouco respeito por eles ? Como eu me tornei assim ? Isto leva ao meu passado, minha hereditariedade, meu ambiente, fatores genéticos e influências na minha criação que me “programaram ”. Pode-se ir ainda mais longe.

A questão remete de volta a uma pequena porção da natureza que é um invólucro para eu habitar, que serve ao meu ego, meu “Eu” , como um instrumento de auto realização. E é este instrumento tão estranho ? Ou pode o homem moderno afirmar desta “natureza dentro dele mesmo ” tat twan asi ?

Parte do nosso próprio destino se aproxima e é reconhecido.

Se acompanhamos como nós entramos em várias situações, torna-se claro o quanto fomos conduzidos pelos sentimentos – absorvidos na nossa própria natureza – de prazer e desprazer, simpatia e antipatia.

Se aceitamos que esta “ natureza” é uma parte essencial nossa, então nós estamos destinados a enxergar a nós mesmos em nossa situação.

Fomos nós que a guiamos para nós mesmos. Assim, o que acontece com os incidentes que realmente parecem determinados de fora e ainda podem ser tão decisivos em nosso destino ? Um acidente, uma perda, uma vaga perdida por extravio de correspondência, permissões concedidas que de acordo com os regulamentos nós não devíamos ter recebido, todos os tipos de encontros acidentais, oportunidades perdidas….

É possível dizer para os acontecimentos exteriores aparentemente fortuitos,      tat twan asi, não apenas no sentido de concordar e aceitá-los, mas muito mais profundamente como tendo verdadeiramente os desejado para si mesmo ?

Qualquer um, que regularmente pesquisa sua vida com tal questionamento em sua mente, pode começar a sentir que um fio a percorre – um tema da vida.

Os acidentes externos parecem realmente pertencer a ele. A idéia se acende : talvez eu próprio fosse – inconscientemente- o diretor de cena por trás deles.

Às vezes uma circunstância inesperada ou um novo encontro pode evocar uma sensação imediata de que “aquilo era para mim ; eu estava me preparando para ele  ; ou “ aquele homem não é um estranho para mim” .

Este tipo de percepção é aprofundado através do ponto de vista de Rudolf Steiner de que é o próprio homem que, através de uma seqüência de vidas terrestres, cria tanto as condições físicas naturais, como os eventos necessários para um contíguo caminho de desenvolvimento. Tomado seriamente e praticado, tal conhecimento traz sentido a cada vida.

O que é que provoca a epidemia de suicídios na Suécia, entre as idades de 18 e 35 anos, senão uma vida vivenciada como não tendo sentido ?

Não é difícil de prever a crescente complexidade de um sistema tecnocrático num completo caos social.

Há uma pequena e comovente lenda russa de um homem insatisfeito com seu destino. Excepcionalmente, lhe é permitido devolver sua cruz. A cruz com seus braços vertical e horizontal representa o urdidura e a trama que sustentam o molde do destino : o invólucro natural que o “Eu” usa na Terra como seu instrumento, e os acontecimentos que vem de fora. O homem entrega sua cruz nos portões do céu e pode procurar por outra. No vasto depósito do céu, elas estão em altas pilhas numa variedade infinita, prontas para serem dadas para as almas que vão descer. Após uma longa busca, ele encontra a cruz com a qual pode identificar seu ser completamente. Pedro a entrega a ele. É a sua velha cruz.

Através do caminho interior e exterior, atenção na própria natureza e naquela do nosso ambiente social : reconhecimento de si na sociedade  e a descoberta da sociedade na alma.

Este balanço pendular entre nossa percepção pessoal e nossa percepção social pode finalmente emergir como uma convicção sobre o destino – jamais uma de contemplação passiva.

A pessoa que chega a conhecer tais fatos olha em torno de si desperta, porque aqui está o lugar onde quer perceber a si mesmo na ação.  

Eu não descubro o que fazer pela “contemplação do próprio umbigo”, mas percebendo o que o destino solicita de mim. Quando eu reconheço que meu     “Eu” está vindo ao meu encontro de fora, cada situação oferece algo que está relacionado comigo, uma pergunta, uma tarefa, um desafio, um aviso. Quando eu tiver encontrado esta chave, eu “sei” o que tenho de fazer.

É esta crescente percepção do destino que será, a longo prazo, a verdadeira bússola para os homens dirigirem e ordenarem seus atos, o princípio único que pode prevenir o colapso social.

 

 

“A Sociedade como reflexo do próprio interior”

  Lex Bos –  cap.VII

 

Published in: on 24/09/2009 at 7:30 p09  Deixe um comentário  

Querer Consciente – Pensar com Querer

Capítulo VI

Nós tentamos examinar certos fenômenos sociais por suas qualidades subjacentes, e depois, usando o que encontramos, olhar para dentro em busca justamente das mesmas forças. Nós escolhemos aquelas principalmente do tipo institucional : seguros, inflação, jornalismo marrom, arranha-céus, e assim por diante. Agora podemos enfocar outro ângulo e olhar a tecnologia.

O que desenvolveu reflete a mudança na consciência que gradualmente vem ocorrendo.O pensamento mecânico de causa e efeito, que embasa a ciência natural e o conhecimento técnico, não seria possível historicamente enquanto a percepção e o pensamento eram obscurecidos por vivências interiores do que quer que estivesse sendo percebido. Tecnicamente um vácuo ( o invento básico por trás do motor a vapor, que desencadeou a revolução industrial) só pôde ser produzido quando os homens tivessem superado seu horror vacui; pelo qual a Idade Média representava o medo de um espaço vazio, sem ar, ou respiração ou espírito divino nele.

Os foguetes espaciais não foram mandados até que a Lua fosse encarada como um monte de crateras sem vida e não mais como um lar e centro de atividade de seres espirituais : por exemplo da deusa Luna. Nessa visão, a técnica resulta de uma mudança na percepção, embora por outro lado dê a impressão de uma caricatura do que deveríamos estar conseguindo com o nosso próximo passo na consciência.

Considere-se tais efeitos técnicos como a televisão e o desembarque na Lua de um lado, e o reator nuclear e a escavadeira de outro. A TV é a culminação de uma cultura visual que cresceu rapidamente nas últimas décadas através de periódicos ilustrados, fotonovelas, histórias em quadrinhos, cinema e slides. A preparação para isto está na utilização de recursos visuais na educação das crianças. Há uma fome insaciável por imagens e o número delas que pode ser engolido numa única hora é inacreditável.

A alma humana tem evidentemente um profundo anseio inconsciente por imagens. Se os meios de comunicação não contassem com isso, eles não chegariam a nada. De sua investigação espiritual, Rudolf Steiner descreve o profundo significado deste anseio ; ele retrata a evolução humana como um gradual despertar para o mundo material, sensorial. A primitiva união inconsciente com um mundo divino deu lugar passo a passo a uma alienação do mesmo.

Na transição gradual para a época moderna, a percepção imaginativa desapareceu e os sentidos se tornaram os instrumentos de percepção. È somente através de uma quase completa separação da realidade espiritual viva que os homens podem atingir uma clara e desperta consciência do Eu. Somente através da redução da sua relação consciente com o mundo espiritual a um mínimo, pode cada indivíduo chegar a si mesmo. Ele passa pelo buraco da agulha. Deixa tudo para trás : mas desta forma ganha a liberdade interior. Assim, o que lhe sucede no outro lado da agulha ? No livro ” O Conhecimento dos Mundos Superiores” , R. Steiner descreve como o primeiro passo do treinamento interior conduz a uma consciência imaginativa figurativa. Não através da dispersão em vagas fantasias, mas precisamente pelo fortalecimento da capacidade de percepção sensorial e do pensamento intelectual.

A consciência do Eu plenamente desperta, adquirida através da passagem pelo buraco da agulha, não é em momento algum abandonada. Pelo contrário, ela é levada para o mundo ao qual só a consciência imaginativa tem acesso ; o mundo do tempo, dos processos vitais, dos poderes criadores. A fome de imagens mostra um tipo de impulso instintivo para libertar a mente de sua forma abstrata de pensar somente com idéias e para desenvolvê-las na direção do pensamento móvel, formador de imagens. Entretanto, isto não pode acontecer a não ser que nós reforcemos a força do próprio pensamento. Somente trazendo a vontade para esta atividade, nós podemos conduzir um pensamento desperto para o mundo dos processos vitais.

E é justamente isto que é sistematicamente obstruído pelo mundo de imagens trazido a nós pela tecnologia. As imagens são introduzidas em nós e nossa própria criatividade é paralisada. Podemos nos entregar passivamente a uma corrente de imagens já programada.

Rudolf Steiner indicou a Lua como o corpo celeste cujos poderes são uma expressão das forças vitais. As influências lunares nas marés, precipitações atmosféricas, ritmos femininos, são familiares. Fazendeiros biodinâmicos versados na ligação entre a posição da Lua e a germinação aplicam isto na prática. Ele chamou a nova consciência imaginativa figurativa de “ um despertar na esfera lunar”.

Não são as viagens espaciais e os desembarques na Lua uma projeção opressiva externa da tecnologia, do que nós deveríamos estar conseguindo interiormente ? Como uma imagem do mundo das forças etéricas vitais, nós podemos ver o feto com sua grande cabeça flutuando sem peso no líquido embrionário e ainda ligado à mãe pelo cordão umbilical. Mas a imagem dos astronautas com seus capacetes flutuando sem peso no escuro cosmos, ligados por uma corda à nave mãe, é uma caricatura cruelmente exata do nosso próximo passo na evolução da consciência.

 Saber como ler tais imagens pode ser um estímulo poderoso na direção de assumir este caminho de treinamento interior. Nós olhamos em seguida para o reator nuclear e a escavadeira. O que ocorre nas usinas nucleares para desencadear tanta controvérsia entre os fornecedores de energia, os ecologistas, os profetas da destruição e os conservadores ?

O reator demonstra que o homem experimentou o mundo da sub natureza nas suas mais ocultas profundezas : começando com as leis mecânicas da gravidade e do pêndulo, através do magnetismo e da eletricidade para a radioatividade e a divisão do átomo. Com o último passo, nós entramos na região dos poderes ocultos na matéria, das energias latentes nas substâncias. Parece um domínio sombrio e perigoso, e desperta medo. Qualquer um pode sentir a ansiedade que permeia as discussões sobre a construção das centrais nucleares. Os regulamentos essenciais de segurança, políticos, organizacionais e materiais são quase inacreditáveis. Todavia, eles não afastam a ansiedade. Como o homem conseguiu penetrar na desintegração da substância ? Ele tem uma participação nesta esfera ? De fato ele tem. É a esfera do metabolismo. Tudo que acontece nas profundezas do inconsciente dos órgãos digestivos tem a ver com o domínio da destruição da matéria.

Em suas conferências sobre medicina antroposófica,  Steiner falou das forças catabólicas no nosso sistema digestivo que reduzem a matéria até o limite do imaterial. Descobriu que a matéria não é simplesmente absorvida de fora para dentro, o corpo através de suas próprias forças, densifica este produto imaterial do processo digestivo, gerando novas substâncias para construir sua própria forma física. Esta esfera corporal é onde a vontade humana pode assumir o controle, em todas as suas expressões da cobiça, impulso e instinto até a forma mais elevada de amor. E agora ela começa a aparecer no horizonte da consciência. A encarnação gradual do homem foi tão longe que o “ Eu” é confrontado com os poderes emergentes das profundezas inconscientes de seu metabolismo.

Freud, Adler e Jung foram os primeiros a estudar esta área. Desde então ela recebeu crescente atenção através das práticas de magia negra do Terceiro Reich. O estudo das torturas, a onda de sexualidade e violência assolando o mundo. A mesma área é descoberta por “terapeutas” e “ transcendentalistas” ; eles elaboraram práticas ( os cursos estão no mercado) para libertar a reserva de forças vitais dormentes nos músculos e órgãos digestivos e desta maneira produzir um sentimento de frescor juvenil. Eles encontraram formas de trazer a sabedoria orgânica, que atua inconscientemente neste mundo, a tal ponto para a consciência, que experiências ocultas acontecem.

O limiar foi cruzado. A esfera metabólica jaz aberta. Está cheia de perigo. Qualquer um que não sabe o que está fazendo, que poderes está desencadeando, que seres está convocando, é extremamente vulnerável. A literatura, descrevendo o real dano psíquico e espiritual decorrente da entrada despreparada nesta região, ainda está aumentando. Esta sombria esfera da vontade precisa ser iluminada pela consciência.

As questões que se acumulam rapidamente com relação à motivação(o que eu realmente quero ?); paralisia da vontade (eu não posso enxergar mais além, eu não me importo);   a perda da auto-orientação ( tem a minha vida algum sentido ?) ; de objetivos comuns ( o que nós queremos juntos ?) ; também o rápido declínio moral, sexualidade e agressividade desenfreadas são precisamente sinais de que os problemas da vontade humana, que vive nos processos metabólicos, estão forçosamente vindo à tona.

Talvez um reator atômico, o destruidor de substância, apenas tenha se tornado possível quando esta região deixou de ser um tabu e pôde surgir no horizonte da consciência. Mas talvez as inúmeras usinas nucleares sejam outros tantos avisos para nós de que deveríamos assumir o controle desta área interiormente.

O livro de Steiner “ O Conhecimento dos Mundos Superiores” , oferece um caminho responsável, apropriado para o homem moderno, de trazer a luz da consciência para a vontade. Mas há outra esfera a ser iluminada e isto nos leva a escavadeira. Quando em 1917, ele escreveu pela primeira vez sobre o homem trimembrado em conexão com as funções psíquicas do pensar, sentir e querer, ele mostrou o sistema nervoso e os sentidos como sendo a área de aplicação para o pensar, o sistema rítmico da respiração e circulação como sendo a esfera do sentir, e o sistema metabólico e locomotor para o local onde o querer é ativo.

Através do querer , o “Eu”, domina a região metabólica a partir de dentro, e entra em ação por meio dos membros. Apenas através dos membros ele pode emergir para o mundo. Os membros são como se fossem uma extensão do querer externamente. Nós realmente usamos nossos membros ? A imagem do operador dirigindo uma grande escavadeira, talvez por controle remoto, representa uma conquista técnica que está em vias de imobilizar os membros do homem, paralisando, desta forma, também seu querer.

Pela manhã um passo ou dois até o carro. Eu sento imóvel, acelerando automaticamente, e deixo setenta cavalos vapor me conduzirem. Subindo ou descendo no escritório pelo elevador ou escada rolante, ou para a oficina onde novamente a máquina é controlada automaticamente. A cozinha está repleta de aparelhos que poupam o trabalho de grelhar, fritar, cortar ou bater. Em seu passatempo lá em cima no sótão, você não mais serra nem lixa manualmente. Qualquer um pode encontrar exemplos.

Recapitule em sua mente os vários modos de vida e você descobre que a tecnologia está colocando sistematicamente nossos membros fora de ação ( exceto pelo jogging do sábado de manhã ); de que ela está desligando todo nosso aparelho motor. E é interessante prosseguir daqui e pensar como as usinas nucleares suprem enormes quantidades de energia para paralisar totalmente o homem.

O que esta imagem retrata ? É algo realmente mostrado externamente que nós deveríamos realizar interiormente ? Eu acredito que sim. Cada um de nós tem muita energia interior, tensão nervosa e instabilidade emocional. Muitas pessoas parecem ter um sistema motor interno que não mantêm sob controle. É claro que é bom queimar alguma energia supérflua em exercícios saudáveis. Mas não é só isso. Acalmar esta super mobilidade através de atividade interior não resultará em rigidez mental. Pelo contrário. Significa um fortalecimento da consciência na esfera da vontade, significa o desenvolvimento da intuição, dá a possibilidade de captar um sentimento sutil do que uma situação particular está pedindo e como ela deve ser manejada. Você aprende, por assim dizer, a escutar com o querer.

Em suma, abre uma trilha para maior consciência do próprio destino. A imagem da escavadeira e, junto com ela, de toda a tecnologia, que está enfraquecendo o querer humano, pode nos convocar a manter sob controle o homem internamente móvel : como a usina nuclear que nos avisa para trazer cuidadosa, mas resolutamente, a esfera do metabolismo e as forças sexuais à consciência. Ambos desenvolvimentos técnicos são um chamado para direcionar a luz da consciência para baixo, para dentro da esfera do querer ; da ação, da experiência, do destino. Analogamente, as conquistas técnicas da TV e os desembarques na Lua nos impelem, com igual força, a direcionar o poder do querer para cima, para dentro da esfera do pensamento e da percepção, de tal forma que isso possa se desenvolver em consciência imaginativa.

 

“A Sociedade como reflexo do próprio interior ”

 Lex Bos – cap.VI

Published in: on 17/09/2009 at 7:30 p09  Deixe um comentário  

Dinheiro de doação para uma vida cultural livre

Capítulo V

Agora pensemos a respeito dos impostos e da indústria de armas.

Aqui novamente nós podemos fazer descobertas importantes sobre a natureza da situação social fora de nós, e a nossa própria atitude mental.

Através de inúmeros canais e de inúmeras formas, o governo suga mais da metade da renda nacional, passando-a, de muitos modos, para órgãos públicos, para instituições culturais como subsídios e para as deficitárias organizações com maior ou menor controle governamental. Uma enorme máquina oficial é empregada para a observação diária da receita, sua manipulação e seu re -direcionamento. Na maior parte dos países industrializados, o governo parece um monstro insaciável tirando para si uma parte cada vez maior dos rendimentos.

“Menos impostos” é o slogan favorito dos partidos de oposição que buscam tomar as rédeas, porque o nível crescente de empréstimos compulsórios é um veneno para muitos. No entanto, uma vez no poder, os políticos parecem incapazes de realizar muitas de suas promessas. Aonde está a causa mais profunda ?

Tomemos outro exemplo antes de olharmos para dentro de nós mesmos : há milhões de dólares devorados pelas indústrias de armas. O que acontece aos produtos ? São vendidos ou fornecidos a um número de diferentes países.

E então ? Bem, o que foi produzido precisa ser usado. Equipamento militar acumulado tem uma espécie de força latente. Ele precisa ser “consumido”.

Pessoal treinado quer testar suas habilidades. As unidades do exército não podem ser mantidas indefinidamente nas barracas, elas precisam trabalhar.

E não há dificuldade para os grandes poderes industriais encontrarem lugares onde possam provocar as situações e testar seu potencial de guerra.

Quando a corrida armamentista se descontrola, o que está acontecendo ? Nós podemos caracterizar o impulso essencial atrás de tudo isto com qualidade ?

O Vietnã é um exemplo. Aquela guerra culminou finalmente numa tentativa de destruição do inimigo e seu país com um tapete de bombas, foguetes, mísseis e assim por diante. Eu não sei os números exatos ( não significam muito para mim de qualquer modo com tantos zeros), mas bilhões de dólares foram lançados sobre a terra como um presente não solicitado.

Sem necessidade de retribuição. Uma força militar é como um dragão cuspindo seus “presentes” com boca pródiga.

Agora coloquem dois fenômenos lado a lado : o governo exigindo cada vez mais impostos, e a máquina de guerra jogando fora tanto, sem ter sido solicitada e de mão aberta.

Tendo reduzido a situação a uma completa caricatura do dar, nós podemos olhar para dentro procurando uma qualidade similar. Como é com nosso próprio dar ? Nós sabemos realmente o que significa dar ? Nós podemos repartir uma possessão ou uma parcela de nosso rendimento para o benefício de outros ? Nós realmente podemos dar livremente ( em nossa motivação) e desprendidamente ( quanto à destinação) ? Cada um deve falar por si mesmo, mas a minha impressão é que este lado das pessoas é muito pobremente desenvolvido.

Meu trabalho no Instituto para o Desenvolvimento Social inclui dar cursos junto com meus colegas para desenvolver a habilidade de cooperar. Há um exercício silencioso, no qual cada pessoa recebe várias peças de muitos quebra-cabeças. No fim dele, cada um deve ter completado um pentágono regular. No começo, é claro, ninguém tem as peças corretas em seu envelope, assim precisa trocá-las. Mas de acordo com as regras, não pode pedir nenhuma ( tudo é silencioso), nem pegar alguma para si, nem mesmo mostrar que precisa de certa peça. O exercício é exclusivamente dar. Cada um é totalmente dependente dos outros pelo que ele recebe, e para muitos este jogo é uma experiência chocante. É duro para uma pessoa suportar completa dependência dos outros para atingir seu próprio objetivo, o pentágono, e ( ainda mais difícil) espera-se dele que olhe em torno de si com interesse e veja o que os outros precisam e se ele pode talvez ajudar desistindo de alguma de suas “possessões” .

Uma pesquisa do exercício revela como há inúmeras razões para dar que não são livres nem desprendidas, para citar algumas :

 – dar, esperando algo em troca ;

– dar o que você mesmo não pode usar ;

– dar, para causar impressão generosa ;

– dar, para mostrar a outro que ele deveria ter dado ( silenciosamente          reprovando-o  como ambicioso) ;

– dar, porque você pensa que as peças circulam, todos têm a chance de conseguir o que precisam ;

– dar, porque de qualquer modo eu tenho poucas peças;

– dar, confiando no especialista ! Ele já conseguiu um pentágono, sabe como fazê-lo, assim ele ainda pode fazer algo com o que tem ;

– dar, porque geralmente é agradável dar ;

– dar, por sentimento de culpa. Eu tenho mais peças do que os outros,nós precisamos igualar ;

As resistências interiores a dar também vêm claramente à luz. Por exemplo :

 – incerteza se o outro realmente pode usar meu presente ; ele sabe o que fazer com ele ?

– dificuldade em desistir do que foi poupado ;

– medo de não receber nada em troca.

 Mais uma vez : não parece ser tão simples olhar em volta abertamente, sem egoísmo e perceber se eu posso ajudar através da doação. E, de qualquer modo, por que isso é tão importante ?

Em suma, porque uma vida espiritual verdadeiramente livre só pode ser concebida se o lado material se torna acessível através de um fluxo de dinheiro doado livremente.

Falando de presente nós não estamos pensando realmente no pequeno presente particular ou de doações filantrópicas, embora estas tenham seu lugar, mas de ações bem objetivas ( ou de série de ações) ; de dar com consciência da necessidade de desenvolvimentos específicos. Isto pode tornar possível para as pessoas promoverem algum talento científico ou artístico ; ou amparar um novo impulso educacional, melhoria agrícola, novos caminhos no tratamento médico e semelhantes.

Onde quer que novos impulsos espirituais estejam esperando para serem realizados, o dinheiro precisa ser dado, incondicionalmente ; precisa realmente ser oferecido livremente, para ajudá-los a se concretizarem. Nas palestras sobre  Trimembração do Organismo Social, Rudolf Steiner falou de 3 tipos de dinheiro : dinheiro de compra, dinheiro de empréstimo e dinheiro de doação.

Dinheiro de compra é usado para bens já manufaturados colocados à venda.

Uma troca direta de dinheiro e mercadorias.

Se nós podemos poupar algo, nós podemos emprestá-lo às pessoas com idéias que esperam converter em produtos. Elas pedem dinheiro para comprar máquinas, para alugar espaço e conseguir quaisquer equipamentos que precisem. O dinheiro emprestado com um contrato formal retorna mais tarde com juros. As idéias se materializaram.

Com dinheiro de doação nós nos elevamos, por assim dizer, a um nível superior. Nós não compramos quaisquer bens ou serviços, nós não permitimos idéias ou habilidades parcialmente desenvolvidas a se materializarem.

Nós tornamos possível a realização de idéias e capacidades ainda não existentes. Isto só pode acontecer na esfera da liberdade. Associar quaisquer intenções comerciais, ideológicas ou políticas com o dinheiro, influenciar o resultado com qualquer condição, polui o espaço de liberdade e empobrece o resultado espiritual.

Para um verdadeiro avanço em direção a formas espirituais de cura, educação, agricultura e assim por diante, um espírito inteiramente livre é necessário na vida cultural ; complementar a isto está um livre fluxo de doações.

Deste ponto de vista, é desanimador a maneira pela qual o governo com seu sugador sistema de impostos envenena a natureza da doação, tornando quase impossível doar generosamente, livremente e sem qualquer interesse próprio.

Para este livro, no entanto, a pergunta é : como é que este tipo de doação exterior tornou-se tão severamente corrompido ?

Nós mesmos criamos as condições permitindo que nossa própria capacidade de doação secasse ?

As 3 imagens que invocamos, da inflação e compra a crédito, seguros e investimentos, impostos e a indústria bélica, indicam três qualidades interiores que precisam ser cuidadas : o controle da compulsão a comprar, aprender a construir baseado na confiança e o crescimento do poder de dar.

É realmente o caso dos 3 lados da vontade humana : 1) aprender a manejar nossos desejos na esfera do querer ; 2) aprender a confiar nas intenções do próximo e reprimir a própria vontade para que a dele possa surgir : 3) aprender a fazer um sacrifício na doação para que uma vontade objetiva espiritual possa encarnar.

Como foi indicado, este caminho trimembrado de treinamento conduz à cura do uso do dinheiro. O desejo em questão pode curar o dinheiro de compra ; crédito concedido com confiança nas pessoas sana o dinheiro de empréstimo ; e a vontade de fazer um sacrifício cura o dinheiro de doação.

 

“A Sociedade como reflexo do próprio interior”

  Lex Bos – cap. V

Published in: on 10/09/2009 at 7:30 p09  Deixe um comentário  

Desenvolvendo a Fé em si mesmo

 

Capítulo IV

No próximo exemplo, nós focalizaremos seguros e investimentos.

Os centros da maioria das grandes cidades estão congestionados com edifícios e escritórios.Certamente algumas câmaras municipais lutaram contra a construção destes blocos, mas a tendência dificilmente pode ser detida. Bancos, companhias de seguro, multinacionais, organizações de negócios e cadeias de hotéis gostam de ter seus escritórios centrais agrupados na cidade.

Este tipo de centro de cidade tem a intenção de inspirar um senso de segurança, proteção e confiabilidade.

Entre as sólidas paredes da ordem estabelecida, todos deveriam ser capazes de se sentir livres.

Ou são estes mesmos prédios expressões da burocracia e tecnocracia que estão sufocando o homem livre ?

Examinemos que tipo de dinheiro os ergueu. Não é tão simples descobrir porque muito está camuflado no mundo financeiro. Mas em muitos casos, a trilha conduz através de companhias de desenvolvimento, consórcios de investimentos e similares, para instituições que atuam como investidores.

Por trás destes estão os prêmios de seguro de milhões de indivíduos – todos esperando que suas apólices lhes comprem segurança, independência e, em última instância, liberdade.

Isto não é uma grande ilusão ? Talvez possamos descobrir examinando a história dos seguros.

Na Europa, antes de 1600, eles tinham quase que exclusivamente o caráter de ajuda mútua. Em pequenas comunidades havia um direito costumeiro de receber ajuda. Se alguém tivesse tido um incêndio, por exemplo, poderia circular com uma carta, reconhecida pelas autoridades, descrevendo sua situação e com esta coletar dinheiro para restaurar sua casa queimada.

É claro que as pessoas contribuíam generosamente, sabendo que em seu próprio momento de necessidade poderiam contar com os outros para uma contribuição.

Com o crédito a idéia era a mesma. Nenhum juro era solicitado, assim se A emprestava dinheiro para B – livre de juros – B estava sob a obrigação moral de emprestar para A, se ele viesse a precisar.

O cuidado com os idosos era uma responsabilidade pessoal direta.

Os pais iriam educar e cuidar de suas crianças e esperavam que os filhos os assistissem na sua velhice.

Quanto mais as pessoas se tornavam individualizadas e emancipadas, tanto mais esta dependência mútua era sentida como empecilho.

As pessoas desejavam se sentir livres, sozinhas e independentes.

Esta necessidade foi satisfeita pelo prêmio do seguro e pelos juros.

B tendo obtido crédito de A, paga juros para anular qualquer obrigação de ajuda a A quando ele necessitar. Mais tarde, emprestar a juros foi institucionalizado e estruturado pelos bancos. Isto é o mesmo que acontece sob o sistema de seguros : pagando um prêmio para uma companhia, eu estou assegurado do meu direito de assistência se algo vier a acontecer.

A Companhia tem a obrigação de me ajudar. A ajuda mútua foi transformada em oficial, anônima e, podemos acrescentar, comercializada.

Eu compro segurança, eu não preciso contar com os outros, eu tenho minha apólice e minha segurança é estipulada nela.

O enfraquecimento de vínculos sociais com o aparecimento de prêmio e juros foi de fundamental importância para o crescimento da industria ocidental.

Mas a pergunta é : aonde isto conduziu ?

Olhando para os seguros em particular, vemos 3 fenômenos.

Primeiro, gradualmente, vê-se que comprar segurança e assim se tornar independente de outras pessoas é pura ilusão. A dependência dos vizinhos é substituída por uma dependência impessoal das gigantescas companhias burocráticas que têm os clientes na palma da mão através de condições camufladas no verso das apólices.

Além disto, uma inflação galopante torna ridículo o sentimento de segurança. E para coroar tudo isto – se quando eu me aposentar não houver ninguém que queira fazer algo por mim, nenhuma das cláusulas na minha apólice me servirá.

Em segundo lugar, há uma grande deterioração no caráter dos seguros. Sobretudo na América, há o crescente hábito dos pacientes de processarem médicos pois um certo tratamento deveria ter sido efetuado de forma diferente, ou melhor, pois eles foram prejudicados de uma ou outra forma ( perda de rendimento, perda de beleza e assim por diante ).

As indenizações podem atingir centenas de milhares de dólares – se não mais. Mas isto por sua vez pode ser prevenido com seguros . O prêmio, é claro, tem de ser coberto pelos honorários médicos. Em algumas cidades americanas isto levou médicos a deixarem suas profissões ou aderirem à greve, assim todo cuidado médico nas cidades esteve ameaçado.

Este mal vai mais além. Donos de carros estacionados, árvores ou cercas, por exemplo, podem subitamente se deparar com enormes processos, porque um advogado esperto sabe como tornar o dono de uma cerca responsável por um acidente.

Uma terceira consideração nos faz retornar aonde iniciamos. Os gastos com seguros conduzem a um vasto acúmulo de capital que precisa ser reinvestido. Investidores institucionais não são responsáveis pelos indivíduos que pagaram os prêmios ; e os donos de apólices apenas estão interessados no total que por direito irão receber.

Assim vemos que um processo quase automático surge no qual somas inimagináveis são investidas para objetivos e projetos que tendem apenas a fortalecer o mundo da indústria tecnológica, ou também pode ser dito, que mostra o resultado final de um desenvolvimento que descrevemos como enfraquecimento dos vínculos sociais, uma atomização dos padrões sociais.

Se tentarmos agora, com esta imagem do centro de cidade moderna e tudo o mais que – através de investidores institucionais – jazem atrás dela em termos de ilusões de segurança e aparente independência, nós podemos perguntar : que qualidade, que fraqueza, o que há em nós mesmos que dá margem a este desenvolvimento ?

Procurando uma resposta a esta questão, uma idéia prevalece – a de fé ou confiança.

Confiança é um poder que temos que desenvolver de novo, desde a base.

É uma qualidade constantemente desacreditada. Uma confiança traída é uma experiência profundamente dolorosa para o homem atual.

Com a dissolução da anterior, tradicional e instintiva relação consangüínea, um homem moderno, livremente responsável, precisa construir seu relacionamento de Eu para Eu com outros homens a partir de um poder inteiramente novo.

Uma forte confiança pode aparecer como fé na evolução, nos semelhantes, no destino, em si mesmo. Melhor dizendo,ela tem de ser conquistada, contra todo o tipo de resistência. Parece que todo desenvolvimento social existe para minar a confiança ou pelo menos para torná-la muito difícil.

Parece que o planejamento social está cada vez mais baseado na desconfiança e portanto tem que ser cercado antecipadamente com controles e regulamentos de segurança.

Mas é interessante que o avanço social torna possível, e mesmo necessário, que o poder da confiança seja exercitado em toda parte.

A divisão do trabalho e a dependência mútua que ela acarreta na vida econômica são tão complexas que nem tudo pode ser prescrito ou antecipado e portanto assegurado.

Nós precisamos aprender a construir confiança.

Na organização de novos empreendimentos coletivos, por exemplo entre produtores, intermediários e consumidores, ou entre pacientes, médicos , terapeutas, numa associação médica, ou em escolas, uma grande oportunidade se abre para o crescimento deste poder.

E é interessante que mais e mais pessoas estão procurando justamente tais situações.

Se nós podemos enxergar o negócio de seguros engordando sobre a nossa própria incapacidade de confiança nas relações humanas, isto está destinado a se tornar um apelo cada vez mais forte para desenvolvermos esta força em nós mesmos.

 

“A Sociedade como reflexo do próprio interior”

  Lex Bos – cap. IV

Published in: on 04/09/2009 at 7:30 p09  Deixe um comentário